terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Seu amor me persegue

Seu amor me persegue

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Tento fugir, mas é inútil, - seu amor me persegue;
Seu amor é a excalibur que partiu meu coração;
Não quero fugir desse amor que nutri a emoção;
Só o tempo nos dirá o que a razão não concebe.

Sou um prisioneiro em fuga, mas não quero fugir;
Seu amor é meu algoz a quem tanto quero amar;
É meu inimigo mortal que eu não consigo odiar;
É uma sensação de medo que dá prazer de sentir.

Meu coração é uma maçã, esta maçã é um alvo;
Que a flecha de Guilherme Teu acertou em cheio;
Estou mortalmente ferido na alma, mas estou salvo.

Se seu amor é a salvação, então nesse amor eu creio;
Mas se for a perdição, para este inferno eu salto;
Quero nascer n’outro mundo para te amar sem receio.

Ditadura é o seu fim

Ditadura é o seu fim.

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Assim como Sadhan me lembra Satã
Com a ditadura não é diferente
Pois é uma forma de governo
pungente]
Hitler não passou de um ditador afã

O mundo, assim como a França, não quer um rei
Nosso Deus majestoso e soberano é um só
Luís XVI e Maria Antonieta sucumbiram,
oh dó!]
A bastilha, terror do proletariado, ah, isso eu sei

Senhores opressores não subestimem minha inteligência
O povo sofre com sua ditadura e repudia sua negligência
Sou livre como um pássaro e como um pássaro quero voar

Ditadores repulsivos fiquem longe de mim
Pois sendo anarquista eu os odeio até o fim
Ditadura com o meu ódio quero te repudiar

Sempre lindas mulheres

Sempre lindas mulheres

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Eu amo as mulheres, eu as amarei eternamente
Mulheres gostosas, atraentes e envolventes sempre
O beijo da mulher me apaixona ardentemente
É muito deliciosa uma bela mulher à minha frente

Sempre lindas mulheres;

A mulher é linda, seja loira ou morena, é sempre gostosa
Mulher alta, baixa, gorda ou magra, é um tesão
Se for virgem, maravilha!Se não for, maravilhosa
Todas elas eu amo, e estão sempre no meu coração

Sempre lindas mulheres;

A mulher canta e me encanta, sem ela sou um nada
Sem ela não há amor, sexo e paixão, é o fim
Não é sonho ou ilusão, é um lindo conto de fada
A mulher é maravilhosa e quero-a para mim

Sempre lindas mulheres;

Não há magia e nem encanto, a mulher é uma beleza
Sem elas não posso viver, com elas eu quero morrer
Sem a mulher tudo é terror e agonia, é só tristeza
Eu as amo e as protejo, este é o meu dever

Sempre lindas mulheres;

Eu quero gritar para o mundo inteiro ouvir
Te amo gostosa, maravilhosa, - mulher doçura
Lindos olhos atraentes determinados a seduzir
É a mulher com seu olhar cheio de ternura

Sempre lindas mulheres;

Pensamentos de um renegado

Pensamentos de um renegado.

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Eu já não sei mais quem sou, ou talvez, nunca soube;
Eu já não sei mais se sou feliz, ou talvez, nunca fui;
Tudo em minha volta é obscuro, é medonho e sinistro;
Sou um homem cujo ódio o coração enegreceu;
Sou a ovelha negra que se afastou da luz divina;
É tudo tão simples e ao mesmo tempo tão complicado;
Minha alma é podre, - sou desprezível e repulsivo;
Sou um invólucro que foi desprezado por Deus e o Diabo;
Uma alma que vagueia sem rumo pelo espaço;
Sem lugar no Paraíso ou no Inferno, no Céu ou na Terra;
Se algum dia já fui feliz, ah! Foi há muito tempo;
De tempos em tempos, vidas vêm e se vão;
Assim como minhas lembranças e meus sentimentos;
Minha vida e meus sentimentos se foram para sempre;
Momentos felizes que passaram e não voltam mais;
Ah!... Tempos bons como eu queria que vocês voltassem;
Um sentimento de rancor foi tudo o que restou em mim;
Sinto uma angústia preenchendo o meu vácuo;
Este mal que me apodera não é um mal físico;
Não é psicológico, não é espiritual, - eu não sei explicar;
O tempo passa devagar e o padecimento é maçante;
Sem dúvida, descobri a agonia dos condenados!
O sofrimento eterno dos condenados ao próprio sofrimento eterno;
Um bastardo desprezado, desdenhosamente, pelo universo;
Estou amargo, ressentido e sinto vontade de sumir;
Pensamentos maus alimentam meu sentimento de ódio;
Eu quero explodir, desaparecer e virar poeira cósmica;
Mas gostaria de renascer num lugar sem sofrimento;
Onde não tivesse dor e as pessoas se amassem;
Porém, não sei se me acostumaria com tanta monotonia;
Eu pareço um idiota, ou talvez, mais confuso do que penso;
Enfim, queria acordar e descobrir que estou sonhando;
Deus!... Diabo!... Qualquer um, por que Vós não me respondeis!?...

O matador da lenda reviveu: o avatar do estripador

O matador da lenda reviveu: o avatar do estripador.

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Acredito que não precisarei falar muita coisa sobre este assunto, pois estou certo que muitas pessoas conhecem ou já ouviram falar da história do célebre serial killer Jack, o estripador. Mas, se por ventura, vós que me ledes, não o conhecerdes, falarei um pouco desta história para vós.
Na segunda metade do ano de 1888, o miserável bairro de Whitechapel, em Londres, foi aterrorizado por um assassino que recebeu o pseudônimo de Jack, o estripador. Sua verdadeira identidade nunca foi descoberta e este pseudônimo foi dado através de uma carta de um indivíduo que se dizia ser o assassino.
Jack, o estripador, tinha como característica notória sempre conseguir escapar impune, e suas vítimas eram mulheres que trabalhavam como meretrizes.
Os crimes eram cometidos em lugares públicos e semidesertos, as vítimas tinham suas gargantas cortadas, na seqüência o cadáver sofria mutilações no abdômen e em outras partes do corpo e os órgãos internos eram removidos.
Especula-se que o assassino tinha conhecimentos médicos ou cirúrgicos, ou que fosse um açougueiro, devido à natureza dos ferimentos.
Não se sabe ao certo o número de vítimas de Jack, o estripador, no entanto, a lista mais aceita é a chamada “as cinco principais” que são:
Mary Ann Nichols nasceu no dia 26.08.1845 em foi morta em 31.08.1888, uma sexta-feira.
Annie Chapman nasceu em Setembro de 1841 e foi morta em 08.12.1888, um Sábado.
Elizabeth stride nasceu na Suécia no dia 27.11.1843 e foi morta em 30.09.1888, um Domingo.
Catherine Eddowes nasceu no dia 14.04.1842 e foi morta em 30.09.1888, também num Domingo.
Mary Jane Kelly, supostamente nascida na Irlanda em 1863 e foi morta em 09.11.1888, uma Sexta-feira.
Os mistérios desses crimes nunca foram desvendados e, dos muitos suspeitos perseguidos e interrogados pela polícia britânica, três deles destacaram-se:
O judeu polaco Aaxon Kosminski, o advogado Montague John Druit e o médico russo homicida Michael Ostrog. O fato é que nenhum dos suspeitos foi comprovadamente culpado e a identidade de Jack, o estripador, nunca foi descoberta. Pois como já falei, este assassino tinha como principal característica escapar impune. Estas informações, por eu citadas, o leitor encontrará em qualquer meio de comunicação, eu as mencionei porque fizeram parte da minha viagem a Londres.
Isso mesmo, eu cometi esta ousadia, tudo com o propósito de tornar-me famoso, descobrindo a identidade secreta do estripador. Especulações e mitos sobre este assunto não faltaram, entretanto, o mistério nunca foi esclarecido, mas eu estava disposto a desvendá-lo.
Parentes e amigos pediram, imploraram, suplicaram para eu não me envolver nesse assunto, alegando não haver necessidade alguma de mexer com esta história sinistra, mas desde minha infância, eu tenho a teimosia como uma virtude.
Ignorei as súplicas de meus parentes e amigos, e viajei para Londres, prometendo voltar só quando desvendasse o mistério e descobrisse a identidade secreta de Jack, o estripador.
Chegando a Londres hospedei-me num hotel próximo ao bairro de Whitechapel. Um lugar sombrio e assustador, onde parecia que o terror reinava, mesmo passado mais de um século dos crimes.
Peguei o material de pesquisa para saber por onde começar. Li a lista das vítimas, a dos suspeitos e dos lugares onde supostamente o estripador teria agido. Um caso que chamou minha atenção, e que foi ignorado pela polícia na época, foi a pichação da Rua Gouston, que dizia: “The juwes are not the men that will be blamend for nothing”, (Os judeus não são os homens que levarão a culpa sem motivo). Mas inexplicavelmente o chefe de polícia Charles Warren ordenou que apagassem.
Talvez esta tenha sido a única pista deixada pelo estripador.Chegaram a acreditar que o assassino fosse um judeu perseguido na época.
Bom, meu propósito era desvendar os mistérios e ficar famosos, mas sabia que não seria uma tarefa fácil. Já havia passado muito tempo, todos daquela época morreram e eu não encontraria uma única testemunha.
Mas eu contava com um ótimo trunfo porque pratico psicagogia (1), então planejei a seguinte estratégia: ir aos locais onde supostamente o estripador teria agido e lá fazer o ritual de evocação das almas dos mortos para ver se os espíritos das vítimas, ou até mesmo do assassino, fariam algum contato comigo. Assim, eu descobriria a identidade secreta do estripador e desvendaria o mistério entrando para história como: “O homem que desmascarou Jack, o estripador”. E assim o fiz.
Por diversas noites, andei pelas proximidades de Whitechapel, entre becos, esquinas e ruas sem saídas. Um lugar extremamente obscuro. Tentei evocar algum espírito, mas nenhum se manifestou.
Eu tinha costume de praticar psicagogia e o que me impressionou foi que das outras vezes tudo ocorrera bem comigo. Mas desta vez foi diferente, senti um profundo mal estar, tontura e a visão turva.
Não sei explicar ao certo, mas sentia como se meu espírito fosse ameaçado por outro espírito maligno, como se ele quisesse apossar-se do meu corpo. Houve ocasiões que eu cheguei a desmaiar.
Nesse momento, fiquei pensando se a natureza desses fatos tinha alguma ligação com o meu envolvimento nessa história macabra. Por um momento, cheguei a lamentar por não ceder às súplicas dos meus amigos.
Mas agora que já estava ali, eu iria até o fim. Uma madrugada, por volta das três horas, eu me encontrava na Rua Buck’s Row, onde supostamente Mary Ann Nichols foi assassinada. Segundo as investigações, Jack agia da seguinte forma:
- Ele aproximava-se calmamente da vítima, conduzia-a até a escuridão e, em seguida, dilacerava sua garganta, mutilava o corpo e removia os órgãos internos. Foi o que aconteceu com a Mary Ann Nichols.
Concentrei-me no ritual de psicagogia, mas novamente nenhum espírito se manifestou. De repente imagens turvas começaram a aparecer em minha mente, formando a imagem de um homem vestido de preto e usando uma capa.
Ele estava atacando uma mulher com uma faca, mas a imagem não tinha uma exatidão nítida, então não consegui ver de quem eram os rostos.
Na seqüência senti uma forte dor de cabeça e creio ter desmaiado por alguns minutos. Quando recuperei os sentidos, estava meio aturdido, levantei cambaleando e meio zonzo.
Dirigi-me ao hotel, mas enquanto caminhava pela rua escura tive a atenção despertada por um pequeno objeto metálico que jazia perto dos latões de lixo na calçada. Aproximei-me e percebi que era uma pequena faca, apanhei-a e, ao tocá-la para ver se o gume estava amolado feri levemente o dedo, pois a faca estava extremamente amolada.
Coloquei-a no bolso e voltei para casa pensando: “Mas que coincidência, encontrar uma faca justamente no local onde o estripador fez uma de suas vítimas”.
Não dei importância ao fato, estava cansado, tomei um banho e fui dormir para continuar as investigações na noite seguinte. Aquela faca tinha um fio magnífico, um belo brilho. Quem poderia perder esta faca num local sinistro daqueles?
Deixei a faca de lado, pois tinha muito a investigar, afinal, eu não queria dar viagem perdida. Mas confesso que mexer com esse assunto me incomodava muito, parecia que quanto mais me envolvia nas pesquisas, mais vulnerável às forças malignas e sobrenaturais eu ia ficando. Sentia que às vezes fugia-me o discernimento e eu me via à beira de cometer um desatino.
Aquela faca que eu achei na noite passada, mas que brilho fascinante! A única maneira de descobrir como o estripador pensava e agia era incorporando-se nele, qual seria a sensação de estripar uma meretriz?
Mas espere! (num momento de reflexão), “eu estou aqui para desvendar os mistérios e descobrir a identidade do assassino, não para começar uma nova matança e uma onda de terror”. Embora sóbrio, no mais perfeito do meu juízo, esta idéia diabólica martirizava-me dentro do meu subconsciente.
Apesar de tudo isso, continuei com as investigações procurando por mais pistas. Novamente fui aos locais dos supostos assassinatos e tentei mais uma vez evocar os espíritos, mas não obtive sucesso.
As imagens que eu via não eram nítidas, eram sempre obscuras e eu não conseguia vê-las com clareza. Devido aos esforços, eu sempre acabava desmaiando e nunca me lembrava direito do que acontecera.
Já estava quase desistindo de tudo e pensando em voltar para casa. Foi quando numa manhã, ao acordar, tive a atenção despertada por uma pequena multidão a alguns metros de distância do hotel.
Fui até o local e vi que havia alguns policiais também. Aproximei-me e vi o corpo de uma mulher com a garganta completamente dilacerada. “Impossível!” – pensei comigo mesmo.
Passado mais de um século do massacre do estripador, será que Whitechapel teria agora um novo estripador para aterrorizar suas ruas? O assassino não só cortou a garganta da vítima, mas também arrancou seu coração e, este era um crime típico do estripador.
Algumas testemunhas, que por ali estavam sendo interrogadas pela polícia afirmaram que, assim como em 1888, um homem aproximou-se daquela mulher, supostamente uma meretriz, levou-a para um lugar escuro, semideserto e a matou.
E, como era de se supor, igual ao caso do estripador, ele sumiu sem deixar rastro. “Muito interessante!”, - pensei eu.

Voltei para o hotel acreditando na hipótese de um novo estripador estar agindo em Whitechapel. Coincidentemente, uma coisa me intrigou: a mulher foi morta nas proximidades de Whitechapel, isso na noite passada, justamente no horário em que eu me encontrava no local. Como foi possível que eu não tivesse visto nada de suspeito?
Achei isso muito estranho, mas tinha agora outro mistério para resolver. Porém, eu estava muito inquieto, perturbado, sentia uma pequena mudança alterada no meu temperamento, sabia que algo de estranho estava acontecendo comigo, mas não sabia explicar ao certo o que era.
Cheguei a fazer alusões paralelas aos fatos que ocorreram, pois como já falei, achei muito estranho não ter visto nada pela hora do crime, nenhum elemento suspeito, e recobrar os sentidos de um suposto desmaio.
Com a chegada da noite do dia deste crime, eu me preparava para sair e prosseguir com as investigações, mas antes de sair passei um bom tempo contemplando aquela faca. O gume e a ponta eram magníficos, era uma arma fantástica e com certeza provocaria um estrago irreparável em alguém que fosse ferido por ela.
Guardei-a e fui para a rua, o policiamento estava reforçado, pois a suspeita de um novo estripador alarmara não só as autoridades, mas também toda a população. Entrei numa rua sem saída, escura e com pouco movimento, então, novamente realizei o ritual de psicagogia e, como da outras vezes, o resultado não teve êxito, senti uma forte tontura e creio ter desmaiado por alguns instantes.
Quando acordei e já estava levantando, percebi uma pequena faca ao lado do meu corpo, sim, era a faca que eu deixara guardada no hotel, mas o que ela fazia aqui? – eu pensei.
A faca estava com a ponta ensangüentada, então, não poderia ser a mesma. Será que este sangue é meu? “Fiquei pensando!”.
Impossível, isso não pode ser. Apanhei a faca e voltei para o hotel. Chegando lá, fui até a cômoda do quarto, abri a gaveta e vi que a faca não estava lá. “Estranho!”, - assim pensei.
A faca, que eu aqui guardei, sumiu; entretanto, a que eu encontrei era idêntica a ela, salvo a mancha de sangue. Fui tomar banho e verifiquei meu corpo inteiro, mas não vi nenhum ferimento, pelo menos isso, - eu fiquei aliviado. Mas a faca que eu encontrei suja de sangue só poderia ser a mesma, pois como eu estava tendo estes esquecimentos, eu poderia muito bem ter colocado a faca no bolso do casaco pensando te-la guardado na gaveta da cômoda, sim, isso era perfeitamente possível, mas, e o sangue? De quem poderia ser?
Nessa madrugada, pouco consegui dormir só pensando nesse fato. Ao amanhecer já corria um boato de que outra mulher, também uma suposta meretriz, tinha sido morta na noite passada há alguns metros dali, acho que próximo à rua onde eu estivera.
Outra vez fiquei em suspense, como isso era possível? – eu estava lá próximo e não vi nada de suspeito. Fui ao local onde encontraram o cadáver. A mulher teve a garganta cortada e, segundo a polícia, o assassino arrancou e levou o fígado dela.
Outro crime típico do estripador, ou seja, um crime na seqüência do outro.
Mais uma vez, testemunhas disseram que viram a mulher saindo com um homem calmamente e, ela apareceu morta. Enquanto eu olhava a vítima tive a impressão de já conhecê-la, embora nunca em minha vida tenha visto aquela mulher.
Voltei ao hotel apreensivo e assustado com tudo aquilo que aconteceu, pois havia passado mais de um século do caso do estripador e, agora, com a minha chegada ao local os crimes voltaram a acontecer.
A faca que eu encontrei naquela noite, o fato dela ter aparecido suja de sangue, os estranhos pensamentos e desejos que me envolviam, enfim, tudo isso me aterrorizou.

Ao chegar ao meu apartamento, apanhei a faca ainda suja de sangue. Tentei fazer o ritual ali mesmo para tentar descobrir o que estava acontecendo e, o que contemplei nas minhas visões me apavorou!
A imagem do homem esfaqueando as mulheres, agora tinha tomado um contorno mais nítido e, não pude acreditar no que vi: o rosto do novo e suposto estripador era o meu, sim, era como se eu estivesse à frente de um espelho.
Respirei fundo e soltei o ar levemente, por um instante, pensei que estava enlouquecendo, pois aquilo era um completo absurdo. Fui ao freezer apanhar uma garrafa de cerveja para beber e relaxar, mas, ao abri-lo, por um segundo minha alma saiu do corpo e voltou, fiquei tácito e imóvel pelo terror! Lá dentro, encontravam-se um coração e um fígado humanos, que atribuí na hora serem os órgãos das vítimas encontradas nas últimas noites.
Fechei os olhos e, completamente perturbado, num relance um flashback passou pelo meu cérebro. Lembrei de tudo o que aconteceu nas noites que eu supostamente teria desmaiado: em primeiro lugar, eu sempre andara em posse daquela faca, desde a noite que eu a encontrei.
Lembrei-me com perfeição de conduzir as meretrizes para as ruas escuras e semidesertas, na seqüência, eu as ataquei, tapando suas bocas para elas não gritarem, cortando suas gargantas e mutilando seus corpos. Depois removendo seus órgãos internos.
Mas como isso era possível, meu Deus?! Eu pensei. Como não consegui me lembrar desses acontecimentos antes?
A explicação mais lógica que eu encontrei foi a seguinte: “em sã consciência, eu jamis cometeria uma barbaridade dessas”.
Com certeza, o espírito de Jack, o estripador, ainda penava naquele bairro mal assombrado de Whitechapel e, eu por ser psicagogo, tornara-me presa fácil de ser possuído pelo espírito de Jack, ou seja, de tanto eu remexer e me envolver com este assunto, acabei dominado. “Só poderia ser esta a única explicação!”
E, de uma única coisa eu estava certo: era que eu não poderia ficar ali mais nenhum minuto, pois se me descobrissem, com certeza, eu estaria com graves problemas com as autoridades britânicas.
Bom, mas é claro que eu não fiquei lá para ter certeza se era mesmo o espírito do estripador que me influenciava, ou se realmente eu era um esquizofrênico, - eu não queria confirmar.
Nesse mesmo dia, procurei resolver este problema usando a única característica que eu admirava no estripador, “escapar impune”.
Apanhei os órgãos, piquei-os em pequenos pedaços, coloquei-os numa sacola e fui até a lavanderia do hotel. Por sorte, não havia nenhum empregado ali no momento, peguei uma pequena bacia de alumínio e joguei os miúdos dentro. Apanhando uma garrafa de álcool e despejando todo o conteúdo na bacia, ateei fogo nos miúdos até virarem cinzas.
Em seguida, peguei as cinzas e as lancei no tanque com a torneira aberta que, se precipitaram encanamento abaixo. Com toda a precaução possível, limpei todo o recinto sem deixar nada que pudesse levantar algo de suspeito e voltei ao quarto para arrumar as minhas malas.
E, quanto á fama, deixei-a de lado e voltei para casa imediatamente, jurando nunca mais colocar os pés naquele lugar mal-assombrado.
Ao chegar em casa, parentes e amigos receberam-me calorosamente e fizeram aquele interrogatório. Mas eu disse que eles estavam com a razão, que eu nunca deveria ter ido mexer com esta história e que estava arrependido.
Com certeza, os fatos que ocorreram em Whitechapel, e que eu descrevi para o leitor, eles nem ficaram sabendo.
Mas eu estou muito contente por estar de volta, longe daquele lugar maldito e livre daquela maldição. Só um detalhe que eu ia me esquecendo de falar: apesar de tudo o que aconteceu, eu não me livrei da faca porque eu achei-a muito bonita e ela esta guardada num lugar bem seguro que eu não vou revelar.
Bom, eu passei muito tempo fora e os meus níveis de testosterona estão altíssimos. Se o leitor me dá licença eu tomar um banho para ir á boate à noite. Hâ! Hâ! Hâ!... Essa foi boa, eu, Jack, o estripador parece até piada!
“Olá bonitão” (meretriz falando...), procurando diversão para esta noite, que tal um bom programa?
- Mas é claro que sim, linda senhorita. Olhe, meu carro está logo ali na esquina, quer fazer a gentileza de irmos até lá?
“Claro que sim, - vamos lá”, (meretriz).
Acompanhe-me, por favor.
Ei, um momento, para que esta faca?! (meretriz).
Ei, o que vai fazer?! (meretriz).
Me larga... não... para?! (meretriz).
Socorro... ah... ah...âh!... (meretriz).
Bom, dessa aqui, eu levarei o útero e o rim!
Requiescat in pace.

Fim

A inumação do necrófilo

A inumação do necrófilo

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca

Fiquei perplexo!... Em estado de choque!
Assim fiquei quando, certo dia, ao amanhecer, descobri que uma das sepulturas do meu cemitério havia sido violada. E o que mais me impressionou foi o fato de que o autor desse crime manteve relações sexuais com o cadáver.
Lutei para acreditar que não estava louco e, não obstante, não estava mesmo.
O cadáver era de uma mulher, apresentava já um estado de decomposição e exalava um odor insuportável. Encontrava-se completamente nua e com as pernas escancaradas, havia gotas de sêmen que iam da vagina até a altura dos seios. Por um momento, fiquei ali imóvel e, um sentimento de nojo e terror, acompanhado por um calafrio, gelou-me a espinha.
Retornei meio aturdido ao meu casebre, que ficava nos fundos do cemitério, peguei uma pá, pregos, martelo, uma corda e voltei ao local do crime.
Apanhei o cadáver gelado e podre, deitei-o no caixão com as mãos cruzadas sobre o peito e, em seguida, tampei-o. As travas haviam sido arrebentadas, por isso, tive que pregar a tampa por inteiro. Enrolei a corda ao meio do caixão e, com um grande esforço, conduzi o pesado volume até o fundo da cova e o enterrei.
Nesse mesmo dia não consegui fazer outra coisa, anão ser pensar no incidente que eu presenciara. Pensei em procurar ajuda policial, ou até mesmo, comentar o acontecido com alguém, mas não o fiz. Porque, de certa forma, eu tinha um grande respeito pelos que já morreram, e também, tinha pavor a escândalos. Mas não sei como, nem por que, eu sentia que esse não era o motivo certo pelo qual eu não procurei ajuda.
Por fim, achei melhor pôr um ponto final e esquecer esta história. Mas, durante semanas não consegui me livrar da imagem da morta, à noite, acordava aterrorizado e banhado de suor, tinha a impressão de que, quando dormia, - ela ficava a me vigiar, a velar o meu sono.
Isso quando não tinha a impressão de ouvir o eco de sua gargalhada demoníaca vindo da tumba a percorrer o caminho até o meu quarto.
Uma manhã, quando fui regar as flores dos túmulos, deparei-me com a mesma cena anterior. A sepultura de outra mulher havia sido violada e o cadáver, completamente nu e com as pernas escancaradas, havia sofrido abuso sexual.
Novamente, apanhei a pá, martelo, pregos e voltei pensativo ao local. Enquanto colocava o cadáver podre no caixão, pensei:
“Esse indivíduo só pode ser alguém conhecido, e que, também, conhece muito bem o cemitério”.
E não me enganei nos meus pensamentos, ao depositar o corpo no caixão, percebi algo que parecia uma carteira, meio soterrada no montante de terra. Peguei-a, abri-a, e, finalmente, vi nos documentos quem era o necrófilo que mantinha relações sexuais com meus mortos.
Cornélio: este era o nome do elemento responsável por aquela profanação aterrorizante. Tratava-se de um mau caráter leviano e morava a dois quarteirões do cemitério. Mas é claro!
Como eu não pensei nisso antes? Só poderia ser o maldito Cornélio. Eu o conhecia muito bem, exceto sua perversão sexual.
Confesso que fiquei um pouco surpreso, pois todos os vícios que se possam imaginar – ele tinha, mas sofrer de necrofilia, já era demais.
Pus fim à minha tarefa, cobri com a tampa o caixão, preguei-a, envolvi a corda ao meio dele, conduzi-o até o fundo da cova e o enterrei. Peguei meus instrumentos de trabalho, a carteira de Cornélio e fui para casa.
Ao chegar, abri uma garrafa de rum, acendi um charuto e comecei apensar comigo mesmo: “eu tenho agora em minhas mãos as provas para colocar o miserável na cadeia, sim, é isso mesmo que eu vou fazer”.
A garrafa de rum já estava um pouco menos da metade quando resolvi, finalmente, ir até a polícia. Mas, de repente, hesitei, não sei explicar como, mas pensamentos macabros e sentimentos sombrios apoderaram-se do meu espírito. Dir-se-ia, que eu agora era a perversidade em pessoa.
Decidi não ir até a polícia, e comecei a premeditar um castigo terrível contra o Cornélio. Eu precisava acabar com aquele patife sem deixar nenhum rastro.
Sabendo do seu fraco por excessos e de sua atração por cadáveres, resolvi atraí-lo para uma emboscada sem que ele suspeitasse. Verifiquei se tinha bebida alcoólica suficiente para executar o meu plano diabólico. Ah! Ah! Ah!...
Uma noite, por volta das vinte e duas horas, fui à casa dele, bati palmas, chamei-o e ele apareceu sem desconfiar de nada.
Boa noite – disse eu. – Oh, meu bom amigo Cornélio, queira me perdoar por estar-lhe incomodando a esta hora da noite! Mas, é que já faz algum tempo que tento falar com o senhor e não consigo.
- Sim, em que posso ser útil? – Disse ele.
Bem, eu achei sua carteira na calçada próxima ao cemitério e guardei-a em minha casa. Como não sabia que iria encontrá-lo, deixei-a lá. O senhor quer ter a bondade de acompanhar-me até a minha humilde residência?
- Mas, a essa hora senhor? – Indagou.
Ora, vamos senhor Cornélio. – É rapidinho, não me diga que está com medo dos mortos?
- Não, é claro que não, é que...
Ora, vamos, não há o que temer, o cemitério é um lugar de paz, temos que ter medo dos vivos e não dos mortos.
E seguimos para o cemitério, um lugar onde pessoa nenhuma me visitava, principalmente, à noite.
Passamos por um longo corredor entre os túmulos guiados por uma lamparina até chegarmos em casa. Em nenhum momento, Cornélio demonstrou preocupação e medo, ou desconfiou de nada.
Abri a porta, entramos, pedi que se sentasse e ficasse à vontade enquanto eu ia buscar sua carteira. Peguei a carteira de Cornélio, duas canecas, uma garrafa de rum, um tabuleiro de xadrez e voltei à sala onde ele me esperava.
Aqui está sua carteira, senhor. – Disse eu.
- Obrigado – respondeu. – Bem, já é tarde, eu preciso ir embora.
Não, - eu disse educadamente. Ainda é cedo, fique um pouco mais, eu sou um homem muito solitário e os mortos não me fazem companhia. Por favor, sente-se, tome um pouco de rum comigo e joguemos uma boa partida de xadrez, sim!
- Tudo bem, mas, sem demora.
Perfeito, - sente-se.
Eram quase vinte e três horas. Cornélio havia ganhado duas partidas de xadrez e eu uma. Quando dizia que iria embora, eu encontrava meios de segura-lo, empurrando mais rum no miserável, que já apresentava sinais de embriaguez.
Não se vá ainda, amigo Cornélio. É muito cedo, - o senhor já provou um vinho português da região de Colares, ou um bom vinho espanhol?
- Não – ele respondeu, já com a língua meio enrolada.
Só um instante, que eu vou buscar, - não demoro.
Voltei com uma garrafa de colares e outra de xerez.
Olhe, aqui estão dois dos melhores vinhos do mundo, “experimente”.

Enchi a caneca do desgraçado até à borda e retornamos ao jogo de xadrez.
Os ponteiros do relógio já marcavam uma hora da madrugada, as garrafas de vinho estavam vazias e eu nem me lembrava mais quantas partidas tínhamos jogado.

Cornélio já cambaleava de bêbado e não dizia coisa com coisa, ou melhor, poder-se-ia dizer que só o álcool falava.
Amigo, disse eu por fim-, que tal fecharmos a noite com chave de ouro?! Eu posso contar-lhe um segredo?
“Claro que pode”, - disse o meu amigo com a voz trêmula e a língua enrolada devido aos efeitos do álcool. – Eu tenho verdadeira veneração em praticar sexo com cadáveres, - você acredita?
- Acredito! – Sério mesmo?! – Disse ele com agradável surpresa. “- Eu pensei que só eu tinha esse tipo de fantasia louca!”. Disse ele.
Não, - fique sabendo que eu também adoro! – Que tal irmos praticar uma orgia, com um cadáver lá fora, - o senhor aceita o meu convite?
Hesitou por um momento, mas, aceitou logo em seguida. “- Sim, eu aceito, vamos lá”.
Bem, então, deixe-me pegar alguns instrumentos de que preciso e já volto. Fui ao quarto. Peguei uma pá, martelos, pregos, correntes, um cadeado, um pé-de-cabra, cordas e mais uma garrafa de rum, e voltei à sala.
Enchi as duas canecas, peguei meus instrumentos de trabalho, a lamparina, passei a garrafa de rum para o Cornélio e segui à frente rumo ao cemitério.
Olhe, - logo ali tem a sepultura de uma mulher que foi enterrada como indigente há pouco tempo, vamos até lá?! Disse eu.
Ao chegarmos ao local, - eu disse:
- Sente-se aqui enquanto eu cavo. E Cornélio sentou ao lado do túmulo, tragando o rum no gargalo da garrafa.
Eu, por fim, depositei a lamparina ao lado da cova e comecei a cavar. A terra estava fofa e creio que levei, aproximadamente, uns vinte minutos até o buraco ficar um pouco acima da minha testa.
“Ei amigo Cornélio!?” – gritei!
Pode pular aqui e me ajudar a tirar o caixão da cova, por favor?
Levantou-se cambaleando e entrou na cova. Seguramos o caixão de ponta a ponta pelas alças e suspendemo-lo até a beira do túmulo.
Saímos de dentro da cova e imediatamente peguei o pé-de-cabra e arrebentei as travas do caixão. Ao retirar a tampa, tiramos o corpo de dentro e o odor era insuportável.
O cadáver encontrava-se em longo estado de decomposição, apresentava bolhas de pus em algumas partes do corpo, e também, parte da carne podre grudava na mortalha. O corpo também estava murcho e ressecado, o que não me deixou dúvidas de que tinha um lugar de sobra para mais um ocupante no caixão.
E não me enganei nos meus cálculos: - Cornélio era um homem pequeno, franzino e com certeza, caberia lá dentro com um pouquinho de esforço.
Senti um profundo enjôo e vontade de vomitar, ao passo que Cornélio olhava o cadáver com desejo e fascinação.
Você primeiro amigo Cornélio, enquanto eu descanso um pouco, - depois eu vou.
Cornélio passou-me a garrafa de rum e aproximou-se do cadáver. Despiu-a da cintura para baixo, escancarou as pernas dela, abriu o zíper de sua calça, deitou-se por cima da carne podre e penetrou-a.
Quando ele já estava no coito com o cadáver, - eu disse:
- Senhor Cornélio, eu sou um pouco tímido e reservado, vou cobrir o caixão com a tampa para o senhor ficar mais à vontade (no intuito de dispersar a atenção dele).
Ah, pouco deu atenção ao que eu falei, estava bêbado e excitado demais para perceber o terror e o perigo que encontrava-se à sua volta. “O homem é o único ser vivo que sabe que vai morrer, mas, é lamentável, que não sintamos quando a morte está bem próxima de nós”.
Enquanto ele gozava dos prazeres de sua necrofilia, apanhei o pé-de-cabra, segurando-o, fixamente, com ambas as mãos.
Aproximei-me dele, sorrateiramente e, desferi-lhe um golpe certeiro na nuca, que abriu acompanhado por um estalo!
Emitiu alguns gemidos: - Hâ... Hâ...Hâ..., e calou-se. Não sabia se o matara.
Com toda a calma possível, coloquei o cadáver de volta no caixão, depositei Cornélio por cima deste, peguei a tampa, cobri o caixão e fiquei sentado em cima, bebendo o restante do rum.
Apanhei o martelo e os pregos e, comecei a pregar a tampa do caixão. Certifiquei-me de que a tampa estava bem pregada, quando ouvi um gemido abafado vindo de dentro do caixão, mas não era um gemido de orgasmo ou de prazer. Era um gemido de terror misturado com angústia, por um momento, um calafrio percorreu-me todo o corpo.
Cheguei a sentir um desconforto ou remorso, mas não passou de um sentimento efêmero, pois, logo em seguida, meu espírito permaneceu sereno com a alma de um recém-nascido.
Eram quase duas horas da madrugada, eu estava cansado, mas precisava terminar a minha tarefa. Envolvi a corrente em volta do caixão e passei o cadeado, pois queria ter certeza de quê, se ele estivesse vivo não poderia sair dali jamais.
Enrolei a corda ao meio do caixão, quando ouvi outro grito abafado emitido lá de dentro:
- Socorro... Tire-me daqui... – Eu lhe imploro!
Com um grande esforço fui descarregando a corda amarrada ao caixão até o fundo da cova. Peguei a pá e comecei a jogar terra no buraco, quando outra vez, ouvi os gritos abafados de dentro do buraco, mas agora iam ficando mais distantes.
Quando joguei a última pá com terra no túmulo, fiquei plenamente satisfeito. Um denso nevoeiro cobria o cemitério e caía uma garoa fina e gélida. Tomei o último gole de rum, joguei uma coroa de rosas no túmulo, peguei meus instrumentos de trabalho, a lamparina e fui para casa dormir tranqüilamente.
E até hoje, sessenta anos depois, eu me encontro aqui, num abrigo para idosos, já no fim da vida e com este segredo guardado a sete palmos de terra.
Ora, para quê procurar a polícia, se eu podia punir o miserável à minha própria maneira!
Não concordam?...

Fim

O fantasma da foice

O fantasma da foice

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca

Wesley Houffman, segundo os boatos dos vizinhos, desde sua infância sempre foi um sujeito excêntrico, doentio e obscuro. Na escola ele não tinha amigos, andava sempre sozinho e nunca teve namorada. Era um verdadeiro misantropo.
Ele tinha uma personalidade perturbadora, as poucas pessoas que tentavam aproximar-se dele se afastavam com medo. Diziam que ele era louco, que ouvia vozes do além e que Satanás conversava com ele.
Houffman falava que nas suas supostas conversas com o diabo, este dizia que ele era um anjo enviado para ceifar a humanidade da terra para o reinado de Lúcifer. (Desta forma quem não iria ter medo de se aproximar de uma pessoa dessas!).
Seus pais, Rebeca e Wilson Houffman tiveram um espanto no dia que descobriram que o garoto aprisionava, torturava e matava gatos e insetos no quintal de casa dizendo que estava cumprindo as ordens do Diabo. O local funcionava como uma espécie de holocausto onde as vítimas sucumbiam nas garras de Houffman.
Rebeca e Wilson tinham dois filhos: Wesley, o mais velho, e Nicole, a caçula recém nascida. Eles achavam que a solidão e o isolamento do garoto era uma simples timidez, mas depois desta descoberta procuraram ajuda psiquiátrica para o menino.
Misteriosamente não foi constatado nos exames psiquiátricos nenhuma anormalidade ou distúrbio mental em Houffman, ou seja, se ele praticava aquelas barbaridades era porque sua índole já era voltada para o mal. A solução do problema não era procurar ajuda de um psiquiatra e sim de um padre exorcista – pensavam.
Os psiquiatras sugeriram aos pais de Houffman, que o menino fosse internado para sempre numa clínica para psicopatas de alta periculosidade para o bem de todos e para o próprio bem dele. Mas é claro que não o fizeram, para que internar alguém que não é louco numa clínica para loucos?
Os anos se passaram e Wesley Houffman se transformou num verdadeiro homenzarrão com um excelente porte físico: tinha um metro e noventa e cinco de altura e pesava noventa e oito quilos, e é claro que sua personalidade doentia e tenebrosa acompanhou seu crescimento. A loucura e a maldade Wesley Houffman não eram coisas deste mundo.
Eu nunca na minha vida ouvi falar ou sabia da existência desse sujeito, mas no final desta história o leitor saberá como “infelizmente” eu cruzei o seu caminho.
Segundo os boatos, a idéia de que o diabo falava com Houffman enraizou no seu cérebro – ele estava convicto que precisava ceifar a humanidade da terra para o reinado do seu senhor. E começou a cumprir sua missão executando a própria família!
Então, na calada da noite, numa hora erma e morta, enquanto todos dormiam – Wesley Houffman despertou transtornado com uma voz em seus ouvidos dizendo: “ceifar a humanidade! Ceifar a humanidade!”.
Levantou-se da cama e saiu do quarto, cautelosamente, para não despertar a sua família e foi em direção ao porão. Lá, apanhou uma foice, e completamente fora de si, caminhou até o quarto de sua irmã Nicole, acendeu a luz, aproximou-se, lentamente do leito, chamou baixinho pelo nome dela, e quando a infeliz despertou – ele disse:
-Perdoe-me querida irmã, só estou cumprindo a vontade do meu senhor!
Quando Nicole Houffman se deu conta do terror que estava ao seu redor e tentou dar aquele grito pavoroso, entrecortado e estridente de vítima quando se vê acuada pelo assassino já era tarde demais! A lâmina da foice levantou-se bem alto e desceu de uma vez em direção a sua cabeça como se fosse uma guilhotina! E os lençóis da cama e as paredes do quarto brancos como marfim ficaram salpicados pelo sangue purpúreo de Nicole que jorrava da cabeça dela.
Em seguida Wesley Houffman deixou a seguinte mensagem na parede branca grifada com o sangue da irmã: “Ceifar a humanidade da terra para o reinado de Satanás”.
Na seqüência foi ao quarto de Rebeca e Wilson e repetiu o mesmo ritual. Acendeu a luz, aproximou-se, lentamente do leito, com a foice em punhos, chamou baixinho os nomes deles:- pai, mãe, – e no momento em que eles despertaram foram atacados inúmeras vezes com golpes de foice e uma sucessão de gritos horríveis suplicando ajuda ressonou pela mansão!
Em questão de segundos os lençóis da cama do casal estavam banhados de sangue e as vítimas estraçalhadas.
E, novamente, ele grifou uma frase na parede com o sangue deles dizendo: “eu cumpri a vontade do meu senhor!”.
Depois – Wesley Houffman dirigiu-se ao sótão e lá fez um ritual macabro! Utilizou a foice para cortar a garganta e os pulsos, ofereceu sua vida para o diabo, e pediu a este que as almas de seus familiares e a dele perpetuassem na mansão para servirem ao seu senhor. E resvalou-se em sangue até expirar!
Os dias passaram e os vizinhos estranharam a ausência da família Houffman e o silêncio na mansão, desde a noite em que foram ouvidos aqueles gritos horríveis – ninguém mais na casa deu sinal de vida – despertara-se as suspeitas de um crime. Então acionaram a polícia e invadiram a casa.
Naturalmente, os policiais não tiveram dificuldades para encontrarem os corpos das vítimas, pois aos que já tiveram a desagradável experiência de ver de perto um cadáver humano em decomposição, - não preciso me dar ao trabalho de descrever o insuportável odor que se exala. E, é claro que o fedor de miasma impregnava toda a casa, mas com certeza, o que enregelou o sangue dos policiais e dos vizinhos não foi o mau cheiro dos corpos, e sim o estado em que os corpos foram encontrados, “assassinados a golpes de foice!”. Isto sem falar das tenebrosas gravuras nas paredes brancas feitas com sangue das vítimas!
A autópsia e a perícia criminal constataram que Wesley Houffman se matou depois de ter estraçalhado a sua família a golpes de foice. É claro que aludiram o terrível crime ao comportamento doentio de Wesley Houffman. Como era de se supor especulou-se uma espécie de lenda ou maldição que Wesley Houffman teria matado a família e depois se matado cumprindo as supostas ordens que Satanás teria lhe dado.
A mansão foi lacrada, desde a descoberta dos crimes, e ninguém mais se atreveu a passar perto, tampouco, entrar na casa, - os móveis ficaram intactos no local, a residência foi abandonada, e é claro – o local foi dado como mal assombrado.
O leitor, com certeza, deve ter imaginado o terror – a força do impacto que esta tragédia causou à vizinhança, ao saberem que alguém foi capaz de exterminar a própria família e escrever frases tão horríveis como aquelas com o sangue dos próprios familiares, e em seguida dar cabo a própria vida dizendo ter cumprido a vontade do Diabo!
Éramos quatro aquela noite, - eu comandava os saqueadores. Há muito tempo eu espreitava aquele bairro, e aquela mansão despertou-me o interesse. Era uma bela mansão num bairro nobre, tranqüilo e de pouco movimento.
Eu tinha certeza que lucraríamos muito com os possíveis objetos de valores que encontraríamos lá.
Era quase meia-noite e nós estávamos no quintal da casa, não havia cães de guarda e nem seguranças, - acreditamos que os donos tinham viajado e não tinha ninguém em casa.
Em nossas missões eu não permitia o uso de violência, nossas armas eram usadas por precaução e em última instância, pois nosso propósito era fazer o furto sem ferir ninguém e fugir sem deixar rastros.
Eu distribuí as ferramentas e equipamentos que utilizaríamos na operação – dei as armas aos meus homens com ordens expressas para serem utilizadas em último caso.
Arrombamos a porta principal e invadimos a casa, - dei ordens para que Kevin, Harry e Brandon vasculhassem cada canto da mansão e que pegassem tudo que encontrassem de valor o mais rápido possível, e assim foi feito. Os meus comparsas se espalharam pelos cômodos grandes da casa e desapareceram em meio à escuridão, guiados apenas pelos lumes das lanternas.
Quando me encontrei sozinho na sala tive a atenção despertada por um barulho de passos que ressonavam no meio da escuridão da sala. Acendi a lanterna e iluminei o local.
Então pude ver uma criança correndo em direção ao longo corredor da casa, e segui-a até chegar a uma porta que acreditei ser à entrada do porão da casa. Entrei, desci as escadas, iluminei e vasculhei cada canto do porão e não vi a criança, e tampouco, nenhum objeto de valor.
Quando já subia as escadas ouvi uma voz entrecortada e abafada de criança que me arrepiou os pêlos do corpo! Virei em direção àquela voz, lancei um flash de luz e vi a pequena criança em minha frente, aparentava ter uns doze anos de idade – eu pensei.
Perguntei seu nome e ela me respondeu:
- Meu nome é Nicole, pegue os seus amigos e fuja daqui, - o Wesley é muito mal, ele vai matá-los, assim como fez com o papai, a mamãe e comigo!
Quem é Wesley minha querida? Perguntei à menina.
- Ele é o meu irmão mais velho, - ele matou a mim e aos meus pais e depois se matou, os nossos corpos estão enterrados, mas nossos espíritos perpetuam aqui, este foi o acordo de Wesley com Satanás, - disse a menina – para o meu espanto.
Mesmo assustado com a história e o estranho aparecimento daquela pequena criatura, tentei aproximar-me da menina estendendo-lhe a mão com doçura. Mas ao me aproximar da estranha pequena fui tomado por extremo horror:
Nicole começou a se resvalar em sangue coagulado e a expurgar pus pela boca, olhos e nariz, e também notei um ferimento horrível em sua cabeça causado por algum instrumento cortante! E mais uma vez a criatura falou:
- Pegue os seus amigos e fuja! Fuja!...
E começou a se derreter em sangue e pus, e em pouco tempo sumiu das minhas vistas como se tivesse sido engolida pelo chão.
Fiquei aturdido com tal aparição e senti vontade de desaparecer daquele local, mas hesitei, levei em consideração o fato de não conhecer a casa e ter imaginado bobagens, ora, quem nunca teve a sensação de não estar sozinho quando se está sozinho num local desconhecido?
Subi as escadas para procurar meus comparsas, mas enquanto subia tive a impressão de ouvir passos atrás de mim, de estar sendo seguido, - olhei para trás e não vi ninguém.
Continuei subindo as escadas e ainda ouvia os passos, não olhei para trás, saí do porão e fechei a porta. Quando já me distanciava ouvi uma risada demoníaca provinda detrás da porta!
Saquei o revólver e me aproximei da porta. Quando toquei na maçaneta a porta se abriu bruscamente e fui lançado ao chão. Lancei um flash de luz em direção à porta e diante de mim, ereto, vi a imagem de um homem armado com uma foice que me aterrorizou!
O homem tinha um aspecto horrível, cadavérico, media mais ou menos dois metros - eu acho, havia ferimentos em torno do pescoço, e de seu olhar emanava a mais pura maldade!
O sujeito veio para cima de mim determinado a me matar, - lançou um golpe de foice que por sorte consegui me desviar, e me afastei do indivíduo. Disparei três tiros no miserável, mas parecia que não surtira efeito na vítima.
Então o sujeito desferiu outra foiçada, mas eu me esquivei e o golpe atingiu a porta e prendeu a lâmina da foice. Mas o elemento continuava a me atacar, e eu tentava reagir de todas as formas:
Batia e socava-o com socos e pontapés, mas parecia que ele não sentia dor. Então saquei uma faca e golpeei sua barriga, enterrando, com força, toda a lâmina até o cabo, porém não obtive resultado. O homem me olhava com deboche e não falava nada, parecia que a única coisa que lhe interessava mesmo era me matar.
Tentei golpeá-lo, novamente, no rosto, mas ele deteve o golpe com a mão, destroncou o meu pulso, me deu uma forte cabeçada, me suspendeu com os braços ao alto e me arremessou violentamente contra a parede. Sem dúvida um homem normal não possuía uma força sobrenatural daquela, ou melhor, o que era que me tinha atacado? – Pensei comigo.
Eu caí completamente ferido, tonto e desorientado. Embora estivesse escuro percebi que o homem não se encontrava mais ali, não ouvi mais nenhum barulho e nem sentia sua presença.
Peguei a lanterna, iluminei o local e não vi sinal do desgraçado, porém a marca da foice estava na porta, um sinal de que eu não sonhei e realmente havia sido atacado por aquele estranho sujeito.
Nesse momento, vários pensamentos passaram em minha mente, o que seria tudo aquilo, que mistérios envolviam aquela estranha mansão? E aquela imagem da pequena Nicole que eu vira? Seria este homem que me atacara, o irmão dela, - o tal Wesley Houffman? Ou melhor, o fantasma dele!?
Enfim, fiquei tomado não só pelo terror como também por sentimentos de dúvidas e inseguranças, aquilo não era um sonho ou uma alucinação. Será que Brandon, Kevin e Harry estão bem? “Perguntei a mim mesmo”.
Caminhei poucas passadas, iluminando o caminho com a lanterna, ainda meio tonto com a violência do ataque sofrido. Então surgiram à minha frente duas imagens espectrais horríveis, putrefatas de um homem e de uma mulher.
Havia ferimentos e manchas de sangue nos corpos dos dois. Nesse instante, encarei-os paralisado pelo terror em meu corpo, sem mencionar uma única palavra.
Foi então que os espectros se apresentaram como Rebeca e Wilson Houffman, os pais de Nicole e Wesley Houffman. E, assim como Nicole – eles me contaram a mesma história e me fizeram à mesma advertência:
- Pegue os seus amigos e fuja daqui o mais rápido possível, ou o Wesley vai matá-los como fez conosco – você já viu do que ele é capaz e que nada e ninguém podem detê-lo – fuja! Fuja!
Quando me propus a dirigir-lhes uma única palavra ao casal Houffman tive a atenção despertada por um grito pavoroso vindo do andar de cima. E, quando novamente olhei em direção ao casal eles já tinham sumido, e eu continuava ouvindo os gritos:
-Socorro chefe, ajude-me, por favor!
Meu Deus é o Harry, - eu falei – correndo em direção à sala, chamando desesperadamente o seu nome: Harry! Harry! Harry!
Lá chegando ainda pude ver o pobre Harry sucumbindo na ponta da foice do maldito! Ele havia cortado a garganta do meu amigo e segurava-o pelos cabelos da nuca enquanto suspendia-o com a ponta da foice atravessada pelas costas até sair pela frente do estômago!
Largue-o seu miserável, - eu gritei.
E o sujeito lançou Harry escada abaixo aos meus pés, - de súbito um sentimento de vingança apoderou-se de mim, e num impulso frenético, saquei a faca, arremessei contra o sujeito e o atingi entre o peito, mas o miserável nada sentiu, deu as costas e saiu andando. O pobre Harry agonizava aos meus pés e ainda falou comigo:
-Fuja chefe! Fuja chefe! Aquele cara é horrível, - ele matou o Kevin e o Brandon com uma foice e gravou umas frases estranhas na parede com o sangue deles!
Nesse instante olhei para cima e o sujeito não estava lá, havia sumido. Então tentei reanimar o meu amigo sacudindo-o: Harry! Harry! Resista! E ele continuou a falar nos seus últimos suspiros:
- A garotinha!... A garotinha – a Nicole! Ela apareceu diante de nós e nos contou toda a história, - ela disse que seu irmão se matou depois de ter assassinado toda a família cumprindo as ordens de Satanás!
- Mas que as almas deles permaneciam nesta casa, - eles estão mortos, são espíritos penitentes. Nós atiramos nele e ele não sentiu nada, - ele os matou! Ele os matou!
- A menina mandou nós fugirmos! Vamos fuja! Fuja! E calou-se com os olhos arregalados.
Harry!... Harry!...- Gritei seu nome em vão sem obter resposta.
Miserável! Exclamei. Tudo que o Harry falou era verdade, - eu vi a menina, o sujeito me atacou, os fantasmas dos pais deles apareceram diante de mim e o Harry estava morto à minha frente!
Peguei a pistola do cadáver de Harry, mas estava descarregada, então apanhei sua faca e subi as escadas iluminando com a lanterna.
Confesso que subi até os quartos à procura de Kevin e Brandon com medo de minha própria sombra, mas queria ter certeza de que eles estavam mortos como Harry, e se possível vingar as suas mortes.
Pelo corredor percebi a porta de um único dormitório entreaberta e entrei. Acendi a luz e fiquei imóvel de terror!
Os corpos de Kevin e Brandon haviam sido estraçalhados com a foice, e ao que pareceu eles não morreram sem lutar. E o que mais me chocou foi quando me aproximei da parede do quarto branca, e vi grifada com o sangue de meus companheiros as seguintes frases:
“Eu sou o anjo enviado para ceifar a humanidade da terra para o reinado de Lúcifer”.
“Eu cumpri a vontade do meu senhor”.
“Esta é a maldição que atormenta a família Houffman”.
Quando li aquelas frases foi impossível controlar o meu temor, nunca na vida tinha experimentado tamanha sensação. Comecei a girar em torno de mim mesmo como num instinto de defesa.
De súbito, aparece em minha frente a imagem da pequena Nicole, dizendo:
-Acredita em mim agora, os seus amigos estão mortos, e se o senhor não sair daqui, o Wesley virá pega-lo,- vamos, não é tarde – ele está no porão ouvindo as novas instruções de seu mentor.
-Fuja!Fuja! Insistiu a garotinha.
Nessa altura, eu já nem sabia direito o que estava fazendo, a única coisa que me interessava naquele momento era salvar a minha vida.
Procurei por Nicole por mais um instante e não a vi, ela simplesmente sumira outra vez.
Debandei apavorado do quarto em que estava deixando para trás meus companheiros mortos, e a cada canto percorrido em direção à saída daquela maldita casa parecia se tornar cada vez mais longe. Quando já descia a escada em direção à sala, ouvi a mesma gargalhada demoníaca que escutara no porão assim que entramos na casa.
Eu podia ver a saída, - a porta aberta para a minha liberdade, mas tropecei no carpete da sala. Então, comecei a ouvir atrás de mim umas risadas sussurrantes e pisadas se aproximando!
Apavorado, - levantei-me e continuei a correr em direção a porta. Faltava pouco para escapar, de repente, a porta se fechou, e eu não consegui abri-la, estava preso.
E continuei ouvindo os passos e a gargalhada sussurrante, porém não distinguia de que lados vinham. Foi quando o meu terror falou mais alto, e eu corri em direção a janela e me atirei sem pensar para fora da casa, estilhaçando o vidro da janela.
Cruzei o quintal correndo como uma lebre fugindo do lobo, e quando já estava em cima do muro olhei para a casa e vi o terrível Wesley Houffman com sua foice em punhos e o rosto desfigurado zombando do meu terror.
Naquela madrugada fugi de lá como se fugisse de alguma praga, nem sei como consegui chegar ao nosso esconderijo, me tranquei apavorado, assustando-me até com o barulho do vento. O que era aquilo meu Deus?... O que era aquilo meu Deus?... Perguntava comigo tentando encontrar alguma lógica pelos fatos.
Passados alguns dias deste acontecido ouvi rumores na cidade de que três corpos não identificados de possíveis saqueadores foram encontrados estraçalhados na mansão Houffman, novamente, no meio da madrugada ouviram-se gritos dentro da casa e a suspeita de outro crime despertara-se no local e, outra vez, acionaram a polícia para uma investigação. E da mesma forma que Wesley Houffman matou a sua família e depois se matou, deixou as paredes do quarto grifadas com as mesmas frases feitas com o sangue das vítimas. A dúvida da polícia e o mistério a ser investigado era descobrir o assassino, pois, embora o crime tenha sido da mesma natureza não poderia ter sido cometido por Wesley Houffman , já que ele estava morto. Embora alguns vizinhos tenham afirmado terem visto um vulto com uma foice em punhos andando através da janela da mansão, ou de estarem sendo observados pelos espíritos de uma criança e de um casal que aludiram serem Nicole, Rebeca e Wilson Houffman.
Foi então que eu descobri que naquela noite nós cometemos a tolice de tentarmos saquear a casa de ninguém mais que Wesley Houffman ,- e eu tive a sorte de escapar com vida de lá, e mesmo com medo poder contar esta assustadora e doentia história para vós.
A mansão continua lá abandonada, mas por nada deste mundo eu volto a colocar os meus pés naquele local, - pode ser que da próxima vez eu não tenha a mesma sorte, e quem sabe se o espírito da pequena Nicole não foi o meu anjo da guarda que me salvou.
Deus tenha misericórdia da minha pobre alma!

Fim