terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A maldição da sepente

A maldição da serpente

Autor: Ronygley Carvalho Fonseca.

Castigo e esperança – Então, o senhor Deus disse à serpente: Por teres feito isto, serás maldita entre todos os animais domésticos e entre os animais ferozes dos campos. Rastejarás sobre o teu ventre alimentar-te-ás de terra todos os dias da tua vida.
Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela.
Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares morde-la no calcanhar...

Gênesis: antigo testamento.

Desde os primórdios da criação do mundo a serpente é um animal amaldiçoado por Deus, e também, a perdição da humanidade. Existem muitas lendas e crenças envolvendo entes agourentos como: gatos pretos, abutres, corujas, entre outros. Quem nunca na vida presenciou ou ouviu falar de alguma desgraça que não tenha sido assistida, ou presenciada, por um gato preto, um urubu ou um corvo?
Eu, particularmente, há algum tempo não acreditava em tais crendices populares, mas depois da minha assustadora experiência, passei a refletir um pouco mais sobre este assunto.
A história que vou narrar aconteceu há muito tempo, quando eu ainda morava num sítio do Texas, e, naturalmente, eu não poderia morrer sem antes relatar estes fenômenos sobrenaturais para o mundo, embora saiba que os leitores pensarão que eu estou louco. Mas eu não os culpo por isso, de minha parte, como já disse antes, nunca fui supersticioso e, às vezes, quando me lembro disso, chego a duvidar da minha própria sanidade mental, mas tudo bem, este foi um trauma que eu já superei.
Existe uma lenda, da qual, eu tomei conhecimento quando viajei para a Índia e, quem ma contou foi um velho encantador de víboras. A lenda falava que: se uma mulher gestante fosse mordida por uma cobra durante o período de gestação, e se esta sobrevivesse, surgiria uma maldição! A qual a criança herdaria toda a má índole da cobra, que se manifestaria com o desenvolvimento da pessoa durante os anos da sua vida. E, conforme o despertar deste mal, numa noite de lua cheia, o amaldiçoado converter-se-ia no próprio demônio rastejante, consumando-se, por fim, a terrível maldição. O velho contava a história com terror no olhar, mas de tal forma, uma veracidade tão incrível, que poderia convencer ali, naquele exato momento, o mais ateu e incrédulo dos homens, - ele afirmava que a mutação da pessoa era algo imprevisível, iminente, mas certa, podendo a pessoa já nascer transformada em cobra, ou transformar-se no decorrer ou no final de sua vida, e esta representava uma ameaça mortal para a humanidade. Eu era um homem curioso, viajado, e embora não fosse supersticioso, gostava de ouvir essas crenças e lendas, então perguntei ao velho se havia alguma maneira de quebrar esta maldição, caso isso acontecesse?
- A morte! A morte! A morte! Esta é a única forma de destruir este mal.
O velho me disse que a única forma de acabar com a maldição era fazendo um aborto, e se caso a criança nascesse, que a matassem o mais rápido possível, - vejam só que absurdo!
Todos sabem que se aplicando a tempo o soro antiofídico na pessoa que foi mordida, as chances de sobrevivência são maiores! E disso, eu estava certo, como um homem do campo prevenido como era, e crente na ciência, até então, possuía em minha casa uma grande quantidade de soros contra mordidas de víboras.
Até então achava um absurdo sacrificar uma inocente vida ainda em formação por causa de uma superstição tola, mas não sei se foi uma simples coincidência ou uma ironia do destino que me aconteceu.
Um dia, quando eu estava ao chiqueiro alimentando os porcos no meu sítio, ouvi passos de cavalo aproximando-se do quintal. Era um criado da família Sherman, uma família do sítio vizinho que moravam alguns quilômetros dali.
Observando certa angústia e preocupação no olhar do homem, - aproximei-me e perguntei o que acontecia?
-É a dona Margareth Sherman, senhor! – Respondeu o homem assustado.
O que ela tem? – Perguntei eu.
-Uma cascavel mordeu-lhe o calcanhar quando ela colhia amoras no pomar, - ela está muito mal, e o senhor Robert Sherman mandou-me aqui para pedir sua ajuda, pois em casa não temos nenhum soro contra mordida de cobra!
-Ele teme que a senhora Sherman e o bebê não resistam até que o médico chegue senhor! – Continuou o homem.
-O quê, - ela está grávida!? – Perguntei eu.
-Sim, respondeu o homem impaciente!
Tendo conhecimento da gravidade da situação, pedi ao criado que selasse um cavalo enquanto eu apanhava o antídoto na estante da sala.
Montei no cavalo e partimos rumo ao sítio da família Sherman. Lá chegando, a governanta da casa conduziu-me até os aposentos da senhora Sherman e, ao entrar, presenciei uma cena desesperadora:
- Em volta do leito havia um círculo de criados orando por sua patroa, e sentado na cama, Robert Sherman segurava a mão da amada, que gemia e ardia em febre.
Pedi aos presentes que, por favor ,se retirassem, ficando no quarto apenas eu, a enferma e o marido dela. A ferida no calcanhar estava muito infeccionada e feia!
- Espero que não seja tarde, meu amigo! – Disse Robert Sherman preocupado.
Acalme-se amigo, felizmente o socorro chegou a tempo, logo terá em seus braços a esposa de seu coração sã e salva! – Disse eu acalmando-o.
Limpei com álcool o ferimento, apliquei o antídoto e fiz um curativo, e então, Margareth dormiu profundamente, pois ao que parecia não sentia mais nenhuma dor.
Bom amigo, agora é só esperarmos, - eu fiz tudo que estava ao meu alcance, ela é uma mulher forte e vai se salvar, vamos descer e deixa-la repousar. Disse eu.
-Sim, obrigado amigo, por favor, acompanhe-me até a sala. Disse Robert.
Então Margareth está grávida, Robert? – Perguntei eu.
- Sim está. Ela está no quarto mês de gestação, e graças ao amigo minha mulher e eu poderemos ver o rosto do nosso filho. Disse Robert abrindo uma garrafa de Médoc e colocando o conteúdo nas taças.
Ah, não foi nada Robert, muito obrigado, - respondi.
- Algum problema amigo, parece preocupado com algo? – Perguntou Robert quando levava a taça com Médoc à boca.
Não, não, não é nada meu caro Robert. – É que me lembrei de uma história que um velho encantador de víboras me contou quando eu estive na Índia. – Respondi.
- Que história, amigo? – Perguntou Robert.
Bobagem. – Uma lenda que fala que quando uma mulher é mordida por uma cobra no período de gestação, a criança herda a má índole da cobra, e numa noite de lua cheia a criança transforma-se em cobra, mas que isto era algo imprevisível ou coisa assim parecida!
- Que absurdo! Indagou Robert. E tem alguma maneira de quebrar esta maldição? – Perguntou ele.
Tem sim. Segundo o velho a maldição é quebrada se a mulher abortar o bebê ou matar a criança ao nascer, assim estaríamos protegendo a humanidade dessa maldição, - mas isso é bobagem, superstição de gente ignorante. – Respondi.
- Que loucura! Eu concordo com o amigo, é preciso ser muito tolo para acreditar numa superstição boba dessa. – Disse Robert.
Tomamos o último gole de Médoc e Robert convidou-me a passar à noite em sua casa, pois já era tarde e ficava um tanto perigoso cavalgar por aquelas bandas a tal hora da noite. E, eu aceitei o seu convite.
Uma criada preparou o quarto de hóspedes para eu dormir àquela noite.
Na manhã do dia seguinte, Margareth Sherman era uma nova pessoa, sua recuperação fora espetacular, nem parecia que era a mesma mulher que eu encontrara agonizando à noite passada. Sentou-se á mesa conosco, tomou o café da manhã, agradeceu-me por ter salvado sua vida e a de seu bebê, e todos da casa ficaram felizes com o desfeito de uma suposta tragédia.
O casal, Robert e Margareth no intuito de demonstrarem sua gratidão para comigo, convidaram-me para ser o padrinho do filho deles. Aceitei o convite honradamente, montei no cavalo, despedi-me dizendo bom dia, e voltei para o meu sítio, um tanto incomodado com aquela lenda que o velho me contara na Índia.
Passado cinco meses deste fato, o mesmo criado da última vez apareceu em minha casa dizendo que, finalmente, nascera o herdeiro da família Sherman, e era com muito orgulho, que seus patrões mandaram-no chamar-me para conhecer a criança antes do batizado que seria no domingo. Então, como todo homem de palavra, selei o meu cavalo e fui à residência Sherman para conhecer meu futuro afilhado, e honrar a minha palavra.
Lá chegando, conduziram-me até o berço da criança, seu nome, - Willy Sherman. Certos comentários devemos guardar para nós mesmos, e foi o que eu fiz, quando vi o menino no berço.
Leitor! – Pode parecer loucura minha, mas não é, quando olhei aquela criança, um assombro tomou conta do meu ser. Eu, simplesmente, fiquei tácito, em suspense, e um calafrio correu-me pela espinha!
O semblante e as feições do menino lembravam à imagem perfeita de uma cascavel, os olhos, o formato da boca, a pele áspera, enfim, tudo. Ao toca-lo na testa senti que estava fria, exatamente como são os corpos dos répteis. Apesar da impressão que isto me causou, repito, foi um comentário que eu guardei só para mim.
Imaginem o suplício que foi ser padrinho desta criança, segura-lo no colo enquanto o padre molhava sua pequena cabeça em formato de cobra, de sentir sua pele fria e escamosa em meus braços. Confesso que cheguei a pensar que isto fosse implicância minha, pois, aos olhos das outras pessoas, - Willy era uma criança aparentemente normal e saudável, mas só eu que o via diferente, e com aquela aparência medonha e asquerosa de cobra?
Este fato levou-me a freqüentar menos a casa da família Sherman, - eu, simplesmente, não queria ver o Willy, - ele me dava medo, juntamente, quando vinha à minha memória, a lembrança da lenda que o velho me contara lá na Índia.
Com o passar dos anos parecia que a lenda que eu ouvira do velho na Índia, aos poucos, ia se profetizando. O mal da cobra começara a manifestar-se e a dominar o meu afilhado.
Willy, com apenas sete anos, começara a apresentar um comportamento agressivo, maléfico, doentio, e eram constantes as queixas dos seus pais.
No sítio deles todos eram vítimas da sua maldade. Willy era uma criança respondona, mal criada, desobediente, certa ocasião, em minha casa, seu pai, Robert Sherman, lembrava-me da lenda que eu contara na noite que Margareth foi mordida pela cascavel. Chegamos a pensar se não era mesmo verdadeira, até então, a suposta superstição da maldição da serpente.
Compadre! – Dizia-me Robert assustado:
- Willy é terrível. Ele pega a machadinha, vai ao chiqueiro, e esviscera os porcos, isso quando não corta os pescoços das galinhas e os torcem, ou bate nas cabeças dos cachorros com o pilão até a morte, ou então, mata a pedradas os patos.
Eu ouvia as queixas assustado, pois sabia, finalmente, que a lenda da maldição da serpente era verdadeira, e que todos ali estávamos indefesos e condenados diante da maldade de Willy Sherman. Pois eu que não iria dizer que o mal se manifestara nele, e tínhamos que mata-lo para o nosso próprio bem, antes que fosse tarde demais, isto repercutiria mal para mim, o quê pensariam os meus bons compadres?
Passado algum tempo decorrido dos fatos relatados no episódio anterior, no entardecer de uma sexta-feira, - eu estava na varanda de casa, deitado na rede, fumando um cachimbo e olhando o pôr-do-sol.
O dia tinha sido muito enfadonho. Eu tinha planos de ir à casa dos compadres Sherman para jogarmos polker e tomarmos um vinho, mas hesitei, sei lá, estava com um mau presságio àquela noite, pensei que fosse apenas cansaço e resolvi não ir até lá, pois estava devendo-lhes visita, há muito eu não ia ao sítio deles.
Jantei, tomei um cálice de vinho do Porto e recolhi-me em meus aposentos. Eu dormia tranqüilamente, quando de repente, despertei assustado, ouvia gritos assustados e passadas de cavalos!
Escutei passos de cavalo aproximando-se de casa, e uma voz entrecortada e ofegante gritou:
- Socorro... Por favor, ajude-me! – Senhor!
Levantei da cama, calcei as chinelas, peguei a lanterna e desci as escadas correndo em direção a sala. E lá fora a voz continuava a berrar desesperada: - Socorro... Socorro... Ajude-me!
Com mil demônios, - gritei eu, mas que diabos estão acontecendo lá fora. Peguei a espingarda, a lanterna e fui até o quintal, era onze meia da noite.
Ao chegar ao quintal, vi um homem caído às patas do cavalo, - ele parecia ferido e rastejava pela grama. Aproxime-me e vi que, novamente, era o mesmo empregado da família Sherman, sim, o mesmo criado que veio me pedir ajuda no incidente de Margareth com a cobra, o mesmo que veio convidar-me para o batizado de Willy, e que agora rastejava ali morrendo à minha frente!
Agarrei o pobre homem aos braços, e perguntei o que acontecia?
-A cobra... O menino Willy... Eles estão todos mortos!
O que homem? O que aconteceu com o Willy? Quem é que está morto? – Perguntei assustado!
-A serpente... A serpente, - continuou o homem!
- Ele os estraçalhou com o machado!- Gritava ele.
Nesse instante percebi um ferimento no calcanhar direito do homem, parecia com uma mordida de cobra!
Você foi mordido por uma cobra? – Perguntei eu.
-Sim... Sim... Eles estão mortos... A serpente... O menino Willy! – Respondeu o homem exalando seus últimos suspiros.
Espere um pouco, eu vou lá dentro guardar a espingarda e apanhar o antídoto. Deixei o homem no quintal e voltei correndo para casa. Apanhei o soro rapidamente e voltei correndo ao local: - mas já era tarde, o homem estava morto!
Por um instante fiquei ali parado olhando para o morto. Eu tinha que ir à casa da família Sherman para saber o que acontecera, mas eu hesitava, morria de medo dos meus pensamentos estarem certos, principalmente, quando olhava o esplendor daquela noite de lua cheia. Será que a maldição da serpente se concretizara, será que o velho estava certo?
Voltei em casa novamente, apanhei uma machadinha, a lanterna, prendi-as ao cinturão, montei no cavalo e fui até a casa da família Sherman.
Lá chegando, desci do cavalo, fui até a porta e entrei. Chamei o casal, os empregados, mas ninguém me respondeu, e no silêncio que fazia na escuridão, eu só ouvia a ressonância dos meus ecos pela casa.
Acendi a lanterna e comecei a vasculhar a casa, aparentemente, tudo estava normal. Fui ao quarto dos empregados, abri a porta e, ao entrar, - presenciei uma cena chocante: lá dentro, haviam três corpos de empregadas expostos em cima da cama, as vítimas tinham sido esvisceradas por algum instrumento cortante, um machado, creio eu, e ao que pareciam, elas foram mortas enquanto dormiam. O cenário era chocante, os corpos estavam deformados, os órgãos foram arrancados e já começavam a feder!
Saí de lá completamente aterrorizado ao ver aquela cena e fui ao quarto vizinho: - lá encontrei outros três corpos, também estraçalhados, eram os criados, e como as outras vítimas, também foram atacadas enquanto dormiam.
Naquele momento fiquei apreensivo, - será que meus instintos estavam certos? Será que Willy Sherman era o responsável por aquela carnificina? Mas onde estaria ele? “Ou melhor, o que eu fazia ali?” – Pensei comigo.
- Os compadres! Eu pensei. E saí correndo em direção ao quarto deles, ao caminho no corredor, iluminei o chão, e vi uma trilha de sangue, que ia do local onde eu estava até o quarto deles. Ao chegar, abri a porta, entrei e gritei:
-Compadre Robert, comadre Margareth! Tudo bem com vocês?
Não obtive resposta. Aproximei-me do leito, puxei a coberta e lancei um foco de luz nos corpos. Aparentemente, eles dormiam profundamente, então os toquei com a mão, estavam frios e rígidos como pedra.
Coloquei a ponta dos dedos no lado esquerdo do pescoço de cada um e não senti nenhuma pulsação, estavam mortos, continuei a iluminá-los com luz da lanterna, foi então que vi as mordidas de cobra nos seus corpos.
Naquele instante fiquei paralisado pelo terror, novamente, lembrei-me da história do velho, e que aquela era uma noite de lua cheia, e se meus instintos estivessem certos, eu também corria sérios riscos estando ali. Mas, e o Willy? Onde ele estava? Perguntei comigo.
De repente, no silêncio que fazia naquele quarto, ouvi algo parecido com um chocalho de cascavel pronta para dar o bote!
Willy! Eu gritei. Foi quando senti a dentada e a perfuração da peçonha na minha panturrilha direita, dei um berro e, num impulso provocado pelo medo esperneei. Lancei um flash de luz ao chão, vi que eu pisava em roupas e sapatos de criança e, ao lado da roupa, encontrava-se um machado todo ensangüentado, e junto deles, toda enrolada como um rolo de corda, com o seu chocalho chacoalhando e com a língua de fora, achava-se o demônio rastejante, a cascavel pronta para dar um novo bote!
Foi então que não tive mais dúvidas sobre a lenda da maldição da serpente, e que ali diante de mim, não era o meu afilhado Willy, e sim, um demônio desdenhosamente amaldiçoado por Deus e expulso do paraíso. E que se apoderou do meu afilhado Willy.
Deixei de lado o pavor que me dominava, peguei a machadinha presa à cintura e dirigi um golpe certeiro e mortal ao réptil, que se resvalou em sangue e contorceu-se até morrer. Depois sentei na poltrona do quarto, tirei do bolso um frasco com o antídoto, tomei-o e limpei o ferimento com álcool. O difícil depois foi convencer a polícia e os outros vizinhos de que o responsável por aquele massacre tinha sido a cobra. Eu fiquei um tempo detido, mas não havia provas que me incriminassem, pois naquela noite, o crime aconteceu antes da minha chegada, - eu fui lá para socorrer as vitimas, mas encontrei apenas os cadáveres e a cobra.
Naturalmente, não acreditaram na minha história, acharam uma loucura o fato de Willy ter se transformado numa serpente e, ser assassinado por mim. A polícia arquivou o caso por falta de pistas, acreditou-se que foi alguma vingança contra a família Sherman. Disseram que alguém entrou na casa enquanto todos dormiam, estraçalhou os empregados, mas no momento do massacre um dos criados o reconheceu, então pegaram uma cobra que levaram com eles, e esta, talvez acidentalmente, mordeu o criado, em seguida, foram ao quarto do casal, jogaram a cobra em cima de Robert e Margareth, e o crime foi consumado. Isto foi feito com o intuito de ocultar as provas, esconder os assassinos e dificultar as investigações. Enquanto ao Willy, alegaram um suposto sumisso com o corpo. Foi a coisa mais absurda que eu já ouvi em toda minha vida, pois a pacata família Sherman não tinha inimigos naquela região, e, enquanto a morte dos empregados? Seria uma queima de arquivo ou ocultação de testemunhas?
Eu sei que pode parecer uma história absurda e inacreditável, mas depois disso, não tive mais dúvidas a respeito dessa terrível maldição, finalmente, compreendi que a história do velho na Índia era mesmo verídica, abandonei o sítio, a vida no campo, o Texas, tudo. Vendi meus imóveis e passei a viver em Nova Yorque, onde ninguém me conhece e onde pretendo ficar até os últimos dias da minha vida. Pois imaginem se alguém toma conhecimento de uma história absurda dessas? Com certeza me internariam num hospício, para onde não quero ir - mas o estranho é que desde que fui mordido naquela noite, às vezes, quando me olho ao espelho, tenho a impressão de ver na minha imagem, feições que lembram muito uma serpente.
-Ah, Nova Yorque – Nova Yorque! Aqui as serpentes só são vistas no zoológico atrás do aquário e sem perigo de nos atacarem, que maravilha de cidade!

Fim

Nenhum comentário:

Postar um comentário